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15 de outubro de 2008

Anjos da Guarda


Olá,olá,olá!!!!

Finalmente já me sinto com três tostões de saúde e por isso aqui estou a dar-vos noticias.


Este ciclo tem sido muito duro, dos piores que já tive. Para além das dores musculares e ósseas (terríveis mesmo), quatro dias depois estava nas urgências do Hospital de Santarém com dores de cabeça e ouvido. Uma Otite!!!! Foram muito atenciosos e lá regressei ao lar doce lar medicada.


Cinco dias depois o antibiótico para a otite começou a atacar a minha flora intestinal. Seguiram-se dois dias de diarreias e febre. Ontem de madrugada a febre subiu para os 38.2.


Como a indicação dos oncologistas foi sempre : "se a febre chegar aos 38, ir imediatamente para as urgências de Santa Maria", lá fomos.


Poupando-vos de pormenores chatos devo dizer que acabei internada, deitada numa maca num corredor de uma Medicina, pois não haviam camas disponíveis. O mais caricato é que predominava a gripe por todos os recantos.


Pedi para me deixarem vir embora, afinal de contas só tenho dez dias de quimio e o risco de infecção num ambiente destes é enorme!!!!


Explicaram-me todo o quadro clínico, deixei tirarem-me mais sangue para fazerem cultura, uma vez que tinha sido detectado uma infecção nas urgências. Como já não tinha febre e a tensão estava normal, assinei um documento e às 6:30 da manhã lá regressei a casa.


Estou muito grata à Médica daquela medicina e aos enfermeiros, foram muito compreensivos, atenciosos e queridos comigo (são uns verdadeiros heróis trabalharem nestas condições deploráveis), mas não deixo de achar gritante que um hospital daquela dimensão não tenha condições para receber doentes oncológicos e os interne numa Medicina, onde nem sequer existe isolamento, (e mais grave, sem vagas de cama, deixando-os nos corredores) colocando-os em risco de vida!!!


Onde estamos???? Num pais de terceiro mundo???? Será que isto só acontece comigo????


Lamurias á parte, dedico-vos a imagem que está no topo (anjos da guarda), a todos vós, que durante estes dias nunca me deixaram fraquejar, e reforçaram sempre a minha força, me deram coragem, oraram por mim e me enviaram mensagens lindas de esperança.
Obrigado, de coração!!!

Beijinhos e orações

20 de setembro de 2008

No meu caso...


Quando obtive o diagnóstico de cancro da mama houve uma corrida desenfreada contra o tempo e os dias atropelavam-se uns aos outros com exames, análises e biopsias. Foi assim durante 15 dias. Durante esse tempo fui pesquisando tudo o que encontrava sobre a doença.


Tornei-me Google - dependente e vasculhei milhares de sites, blogs, vídeos e fóruns. Falei com médicos amigos, indaguei associações, coloquei centenas de questões e dúvidas aos oncologistas do Hospital de Santa Maria.

Não o fiz sozinha, fi-lo com o meu Puma lindo (a minha cara metade), que desde a primeira hora se envolveu de alma e coração nesta causa. A dado momento li num estudo feito pelo Serviço de Anestesiologia e Reanimação do Hospital de Santarém, a seguinte afirmação: "A perda da mama ocorre num momento em que algumas doentes ainda nem sequer estão psicologicamente preparadas para tratar as perdas que o envelhecimento traz gradualmente, quanto mais a perda repentina da mama."

Nessa altura parei e pensei: "Pois é ... eu de facto ainda não me tinha habituado aos pés de galinha ou melhor dizendo - rugas de expressão - e já vou perder a mama..."

Sentamo-nos os dois e falámos sobre isso. Mutuamente chegamos á conclusão que o mais importante seria a minha vida e não um pedaço de carne. Não se tratava de uma mão, nem um pé, fazia falta pois era a minha entidade como mulher que iria ser afectada, mas tudo vale para salvar a vida, TUDO!!!

Envolvemos a família toda na questão, ouvimos todos, chorámos e rimos, demos abraços sentidos, trocámos olhares e carinhos e em uníssono todos reafirmaram que o bem mais precioso que todos nós temos é a vida.

E pela vida fomos de cabeça levantada para a quimioterapia. Passamos por 4 ciclos, com dor, sofrimento e muita vontade de viver. Lutámos todos !!!! E quando as forças me faltavam, logo aparecia um membro da família ou um amigo para me dar alento e coragem.

Formámos uma grande equipa. E foi com espírito de equipa que fomos para a mastectomia.

O meu Puma lindo só deixava a cabeceira da cama do hospital à noite, quando ía para casa dormir, e no dia seguinte era o primeiro a chegar. Denominado pela família como o piquete de serviço, ele esteve sempre atento e vigilante.

E lá regressei a casa, muito dorida e empenada, mas de espírito elevado.

A hora de revelar o meu corpo ao meu parceiro (meu Puma) deu-se naturalmente, sem eu dar conta, pois foi ele que me deu banho, me vestiu e alimentou nos primeiros dias. O carinho e a ternura eram uma constante, por isso nunca por momento algum eu senti repulsa, muito pelo contrário senti-me sempre amada e desejada. Quem dera que todas as mulheres sentissem o mesmo.

Mais uma vez obrigado a todos pela amizade e alento que me dão.

Beijinhos ... até já...




30 de agosto de 2008

Já fui Operada!!

Meus amigos já fui operada!!!
Correu muito bem, melhor do que se esperava!
Foi ontem de manhã, FUI A 1ª DO DIA!

Achei que estava a sonhar com o meu PUMA e a minha família, mas segundo me contaram foi mesmo assim!

As drogas são fixes!

Mas amigos e amigas, esta equipa é mesmo muito boa!!!


Um MUITO OBRIGADA a:
  • Dr. Rui Esteves (um cirurgião de 1ª);
  • À equipa de enfermagem (muito queridos e profissionais);
  • À equipa de auxiliares (sempre muito Queridas e atenciosas);
  • À equipa de cirurgia do Dr. Rui Esteves, São uns heróis!
A todos os que nos têm acompanhado e que nos têm apoiado, a mim, à minha família (toda, a genética e a do meu Puma que também é minha!), UM MUITO GRANDE OBRIGADO!

BEIJOS,

LILY