
Quando obtive o diagnóstico de cancro da mama houve uma corrida desenfreada contra o tempo e os dias atropelavam-se uns aos outros com exames, análises e biopsias. Foi assim durante 15 dias. Durante esse tempo fui pesquisando tudo o que encontrava sobre a doença.
Tornei-me Google - dependente e vasculhei milhares de sites, blogs, vídeos e fóruns. Falei com médicos amigos, indaguei associações, coloquei centenas de questões e dúvidas aos oncologistas do Hospital de Santa Maria.
Não o fiz sozinha, fi-lo com o meu Puma lindo (a minha cara metade), que desde a primeira hora se envolveu de alma e coração nesta causa. A dado momento li num estudo feito pelo Serviço de Anestesiologia e Reanimação do Hospital de Santarém, a seguinte afirmação: "A perda da mama ocorre num momento em que algumas doentes ainda nem sequer estão psicologicamente preparadas para tratar as perdas que o envelhecimento traz gradualmente, quanto mais a perda repentina da mama."
Nessa altura parei e pensei: "Pois é ... eu de facto ainda não me tinha habituado aos pés de galinha ou melhor dizendo - rugas de expressão - e já vou perder a mama..."
Sentamo-nos os dois e falámos sobre isso. Mutuamente chegamos á conclusão que o mais importante seria a minha vida e não um pedaço de carne. Não se tratava de uma mão, nem um pé, fazia falta pois era a minha entidade como mulher que iria ser afectada, mas tudo vale para salvar a vida, TUDO!!!
Envolvemos a família toda na questão, ouvimos todos, chorámos e rimos, demos abraços sentidos, trocámos olhares e carinhos e em uníssono todos reafirmaram que o bem mais precioso que todos nós temos é a vida.
E pela vida fomos de cabeça levantada para a quimioterapia. Passamos por 4 ciclos, com dor, sofrimento e muita vontade de viver. Lutámos todos !!!! E quando as forças me faltavam, logo aparecia um membro da família ou um amigo para me dar alento e coragem.
Formámos uma grande equipa. E foi com espírito de equipa que fomos para a mastectomia.
O meu Puma lindo só deixava a cabeceira da cama do hospital à noite, quando ía para casa dormir, e no dia seguinte era o primeiro a chegar. Denominado pela família como o piquete de serviço, ele esteve sempre atento e vigilante.
E lá regressei a casa, muito dorida e empenada, mas de espírito elevado.
A hora de revelar o meu corpo ao meu parceiro (meu Puma) deu-se naturalmente, sem eu dar conta, pois foi ele que me deu banho, me vestiu e alimentou nos primeiros dias. O carinho e a ternura eram uma constante, por isso nunca por momento algum eu senti repulsa, muito pelo contrário senti-me sempre amada e desejada. Quem dera que todas as mulheres sentissem o mesmo.
Mais uma vez obrigado a todos pela amizade e alento que me dão.
Beijinhos ... até já...