Queridos amigos
Durante todo este tempo em que tive em tratamentos fui recebendo inúmeros gestos de carinho e amizade. Alguns dos amigos foram-se mantendo próximos e atentos, fornecendo doses intermináveis de coragem e força, motivando-me sempre para alcançar a vitória. A família Saraiva foi um desses exemplos. Sempre atentos a todas as minhas necessidades, nunca por um instante me deixaram, mesmo quando não atendia o telefone ou não queria falar. Foram incansáveis.
No seio deles existem duas pessoas de palmo e meio, cuja grandiosidade quero hoje ressaltar.
O André (de 8 anos) e a Ritinha (de 4 anos) . Ambos souberam desde o inicio que a tia emprestada deles (eu) tinha uma doença grave, complicada e que necessitava de fazer tratamentos que me impediam de estar com eles muitas vezes, que levavam à queda do cabelo, mas que tínhamos de ter fé e acreditar, acreditar muito, que poderia ficar boa.
Quando estavam comigo davam-me muitos mimos, beijos, abraços, quando eu ficava de cama e não podiam estar perto de mim, faziam-me desenhos para me dizer que gostavam de mim e estavam comigo na mesma, pediram aos Pais vezes sem conta para rezarem por mim, participaram em orações e acenderam velas para pedir as minhas melhoras por vontade própria. Era uma ternura vê-los de joelhos a olhar o tecto, procurando que Deus os ouvisse, dizendo: "Cura a Liliana...".

A Rita, certa vez viu-me careca. Olhou muito séria, apalpou a minha cabeça e depois com um enorme sorriso disse-me: "Pera aí, vou buscar uma coisa".
Apareceu minutos depois com uma boneca sem cabelo e disse: "estás igual a ela..." "puxei duma vez..." (tinha puxado o cabelo da boneca com força demais certo dia e ficou irremediavelmente careca.)
"Tou" - disse eu a medo, não sabia bem o que dizer... - "achas que estou feia?" - perguntei.
"Não!!" " Cresce?" - perguntou.
"sim, quando acabar os tratamentos do hospital" - respondi cheia de insegurança.
Sorriu e fez uma careta, "o dela não"- disse , depois questionou-me - "Queres brincar com ela e com as outras?" - e lá fomos, dei-lhe a minha mão e deixei que me guiasse até ás suas bonecas...
Tão pequenina e tão crescida, tão humana...aceitou-me, mesmo que diferente, ela também tinha uma boneca diferente e no entanto gostava dela e aceitava-a da mesma maneira que gostava de todas as outras, tal qual fez comigo.
Nesse dia o André também apalpou a minha cabeça e com um ar maladreco, de olhos brilhantes e sorriso contagiante disse: Que fixe!!! Assim até é melhor, não é Liliana? Não tens tanto calor no Verão!!! E ainda ficas com um ar muito à frente!!!- e rimo-nos ás gargalhadas.
São estes gestos grandiosos, sinceros, tão cheios de amor que me deixam de lagrimita no olho, cada vez que me lembro deles, que me permitem acreditar num amanhã melhor.
Bem sei que estas ternuras de palmo e meio são fruto de uma educação cuidada e esmerada, com muito amor e dedicação e dois Pais maravilhosos, que se dedicam de alma e coração, mas acredito que existam mais, muitos mais...OBRIGADO meus lindos, OBRIGADO LUÍSA E AIMORÉ. OBRIGADO PELA VOSSA AMIZADE.
Ontem fomos comemorar juntos, os resultados dos exames. Ainda não o tinha feito, acho até que nem acredito que venci... que valeu a pena tanta dor e tanto sofrimento...que vou poder viver de novo, uma vida com mais intensidade, mais compreensão, mais humanismo, desvalorizando a pequenez de certos gestos...
Mas como tínhamos vários motivos para nos unirmos, as saudades, o André ter passado de ano e a minha vitória contra o bicho, lá se fez a jantarada. Os belos sabores do Brasil, que o Aimoré e a Luísa com mestria nos apresentaram encheram a mesa de cor e os aromas abriram o apetite.
No inicio, o brinde da praxe, que hoje estendo a todo vós. Brindem comigo, queridos amigos, quero juntar-vos à festa, VIVA A VIDA, MORTE AO BICHO!!
Obrigado pelas lindas palavras que me transmitiram quando dei a noticia. Tenho andado meia apática com outras coisas e não tinha realizado ainda bem aquilo que aconteceu... venci...VENCI MESMO!!!
Durante todo este tempo em que tive em tratamentos fui recebendo inúmeros gestos de carinho e amizade. Alguns dos amigos foram-se mantendo próximos e atentos, fornecendo doses intermináveis de coragem e força, motivando-me sempre para alcançar a vitória. A família Saraiva foi um desses exemplos. Sempre atentos a todas as minhas necessidades, nunca por um instante me deixaram, mesmo quando não atendia o telefone ou não queria falar. Foram incansáveis.
No seio deles existem duas pessoas de palmo e meio, cuja grandiosidade quero hoje ressaltar.
O André (de 8 anos) e a Ritinha (de 4 anos) . Ambos souberam desde o inicio que a tia emprestada deles (eu) tinha uma doença grave, complicada e que necessitava de fazer tratamentos que me impediam de estar com eles muitas vezes, que levavam à queda do cabelo, mas que tínhamos de ter fé e acreditar, acreditar muito, que poderia ficar boa.
Quando estavam comigo davam-me muitos mimos, beijos, abraços, quando eu ficava de cama e não podiam estar perto de mim, faziam-me desenhos para me dizer que gostavam de mim e estavam comigo na mesma, pediram aos Pais vezes sem conta para rezarem por mim, participaram em orações e acenderam velas para pedir as minhas melhoras por vontade própria. Era uma ternura vê-los de joelhos a olhar o tecto, procurando que Deus os ouvisse, dizendo: "Cura a Liliana...".
A Rita, certa vez viu-me careca. Olhou muito séria, apalpou a minha cabeça e depois com um enorme sorriso disse-me: "Pera aí, vou buscar uma coisa".
Apareceu minutos depois com uma boneca sem cabelo e disse: "estás igual a ela..." "puxei duma vez..." (tinha puxado o cabelo da boneca com força demais certo dia e ficou irremediavelmente careca.)
"Tou" - disse eu a medo, não sabia bem o que dizer... - "achas que estou feia?" - perguntei.
"Não!!" " Cresce?" - perguntou.
"sim, quando acabar os tratamentos do hospital" - respondi cheia de insegurança.
Sorriu e fez uma careta, "o dela não"- disse , depois questionou-me - "Queres brincar com ela e com as outras?" - e lá fomos, dei-lhe a minha mão e deixei que me guiasse até ás suas bonecas...
Tão pequenina e tão crescida, tão humana...aceitou-me, mesmo que diferente, ela também tinha uma boneca diferente e no entanto gostava dela e aceitava-a da mesma maneira que gostava de todas as outras, tal qual fez comigo.
Nesse dia o André também apalpou a minha cabeça e com um ar maladreco, de olhos brilhantes e sorriso contagiante disse: Que fixe!!! Assim até é melhor, não é Liliana? Não tens tanto calor no Verão!!! E ainda ficas com um ar muito à frente!!!- e rimo-nos ás gargalhadas.
São estes gestos grandiosos, sinceros, tão cheios de amor que me deixam de lagrimita no olho, cada vez que me lembro deles, que me permitem acreditar num amanhã melhor.
Bem sei que estas ternuras de palmo e meio são fruto de uma educação cuidada e esmerada, com muito amor e dedicação e dois Pais maravilhosos, que se dedicam de alma e coração, mas acredito que existam mais, muitos mais...OBRIGADO meus lindos, OBRIGADO LUÍSA E AIMORÉ. OBRIGADO PELA VOSSA AMIZADE.
Ontem fomos comemorar juntos, os resultados dos exames. Ainda não o tinha feito, acho até que nem acredito que venci... que valeu a pena tanta dor e tanto sofrimento...que vou poder viver de novo, uma vida com mais intensidade, mais compreensão, mais humanismo, desvalorizando a pequenez de certos gestos...
Mas como tínhamos vários motivos para nos unirmos, as saudades, o André ter passado de ano e a minha vitória contra o bicho, lá se fez a jantarada. Os belos sabores do Brasil, que o Aimoré e a Luísa com mestria nos apresentaram encheram a mesa de cor e os aromas abriram o apetite.
No inicio, o brinde da praxe, que hoje estendo a todo vós. Brindem comigo, queridos amigos, quero juntar-vos à festa, VIVA A VIDA, MORTE AO BICHO!!
Obrigado pelas lindas palavras que me transmitiram quando dei a noticia. Tenho andado meia apática com outras coisas e não tinha realizado ainda bem aquilo que aconteceu... venci...VENCI MESMO!!!
Beijos cheios de carinho